Ultimamente não
acredito mais em fadas, não gosto mais
de cores vibrantes, me irrita escutar qualquer som no volume alto. Odeio cada
vez mais gritos. Seus gritos, gritos de todos. Principalmente os que ecoam
dentro de mim. Não gosto mais de olhar no espelho, odeio escutar a palavra
casamento, não acredito mais em signos, fico excitado ao ver pessoas que amo
sangrando, não jogo mais dados, meu plano de fundo é sempre cinza, amo cada vez
mais ossos e odeio o fato de não ter nenhum
aparente.
Minha relação com a
água e seus seres já não é mais a mesma. Fico em frenesi quando tomo banho.
Meus sonhos estão cada vez mais macabros, não aguento mais me afogar em
piscinas de sangue. Estou apaixonado pelo mundo e ao mesmo tempo o odiando.
Minha sereia morreu, ou pelo menos está mergulhando faz um bom tempo. Acho que
a superfície está melhor sem ela. Descobri que posso fazer sexo. Descobri que
não quero fazer sexo. O gigante espelho da sala me irrita. Meu reflexo me
irrita. Sexo seria refletir em outra pessoa o quanto me odeio.
Nesta corrente
elétrica de sentidos eu me perco e me defino, mesmo assim, ainda não sei se
estou acordado.

E quando criamos nossos personagens ecoa o nosso alter ego, que confundem-se no eu, confundindo-o.
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