Pessoas vem e vão, eu fico.



É impossível agir sem pensar, não posso mais usar essa desculpa, nem meu espelho acredita nela. Sim, fiz tudo de caso pensado. Começo amizades porque quero pessoas. Termino amizades porque tenho outras em mente. Um grande jogo de interesses. Você pensa que me conhece, mas apenas conhece o que eu quero que conheça. O ‘meu eu’ que você conhece  é apenas uma pequena parte de mim. Minhas várias faces constituem o que sou. E o que sou? Uma grande mentira.

Ultimamente não acredito mais em fadas, não  gosto mais de cores vibrantes, me irrita escutar qualquer som no volume alto. Odeio cada vez mais gritos. Seus gritos, gritos de todos. Principalmente os que ecoam dentro de mim. Não gosto mais de olhar no espelho, odeio escutar a palavra casamento, não acredito mais em signos, fico excitado ao ver pessoas que amo sangrando, não jogo mais dados, meu plano de fundo é sempre cinza, amo cada vez mais ossos e odeio o fato de não ter nenhum  aparente.

Minha relação com a água e seus seres já não é mais a mesma. Fico em frenesi quando tomo banho. Meus sonhos estão cada vez mais macabros, não aguento mais me afogar em piscinas de sangue. Estou apaixonado pelo mundo e ao mesmo tempo o odiando. Minha sereia morreu, ou pelo menos está mergulhando faz um bom tempo. Acho que a superfície está melhor sem ela. Descobri que posso fazer sexo. Descobri que não quero fazer sexo. O gigante espelho da sala me irrita. Meu reflexo me irrita. Sexo seria refletir em outra pessoa o quanto me odeio.

Nesta corrente elétrica de sentidos eu me perco e me defino, mesmo assim, ainda não sei se estou acordado.

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One Response to “Pessoas vem e vão, eu fico.”

  1. E quando criamos nossos personagens ecoa o nosso alter ego, que confundem-se no eu, confundindo-o.

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