Necessidade: Nebulosa



Já perdi as contas de quantas vezes o final mudou, a grande medalha, o pote de ouro, o troféu. Nestas fases incertas, as quais nos taxam durante toda a vida, meu objetivo nunca foi o mesmo. Hoje, mais do que tudo,ele se define na simples, porém árdua, atitude de limpar as lentes dos meus óculos.

Busquei durante toda esta jornada cansativa, e, diga-se de passagem, prazerosa, uma flanela limpa. Um pedaço de pano, não qualquer pedaço de pano, afinal não quero riscar minhas lentes, tornando minha visão ainda mais desgostosa. Um pano macio, talvez uma manga com cheiro de amaciante.

Deleitar nossos olhos com cenas marcantes nunca foi difícil, difícil é fazer com que enxerguem –vocês– a beleza das pequenas coisas. É mais do que um par de óculos precisando de uma limpeza, são milhões deles, em todos os lugares. Milhões de mentes precisando de uma faxina. Uma faxina que, é claro, deixe peculiaridades subjetivas em pé, e extermine apenas os coliformes que formam seu pré-conceito ao analisar aquela, esta, qualquer figura. Você pode fazer a limpeza sozinho, mas se precisar de ajuda, ah, uma empregada doméstica não está cobrando barato.

Não entendo esta necessidade de embaçar as lentes alguns minutos após serem limpas. Cobrir o sol com a peneira não vai adiantar, não por muito tempo. As reles réstias de luz vão fazer o rosto esquentar, arder, demore quanto tempo for. Precisará de um guarda-sol, mas, como vai encontrá-lo -no meio da bugiganga do sótão- com as lentes sujas?

This entry was posted on terça-feira, 8 de janeiro de 2013 and is filed under ,. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.

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