Quanto mais tento fugir desta carne que me prende e me
envolve delicadamente, mais fico ligado a ela. Os sons estão vibrando dentro de
mim e fazendo meus ossos quebrarem. Agonizar em dores. Mais do que minha
carranca de Quasimodo, sinto segredos escapando de minhas costas corcundas. A
necessidade de atenção passou dos limites, pessoas como eles me deixam
nauseado. Minhas sereias internas suspendem meus órgãos e elevam meu ego. Meu
mar já não é mais o mesmo.
Sentir o calor do sol em brumas sem fim me faz mais
nostálgico do que a cinco minutos atrás. Derramar lágrimas salgadas é
desperdiçar a água que faz as sereias respirarem. Derramar sangue ainda é mais
fácil. Gotas de sangue que coloco em pequenas garrafas e armazeno em caixas.
Sim, ainda guardo caixas no fundo do guarda roupas. Ainda guardo sentimentos em
caixas. Pessoas em caixas. Momentos em caixas. Futilidades a parte, continuo a
sentir os ossos quebrando, quebrando e se reconstituindo rápido, só pra poder
quebrar mais uma vez.

Sereias, caixas: algo me soa familiar (e ainda assim inexplicável).
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