Abri
a janela, entrei nos tempos de inverno quente. Meu ego continua andando pelas
avenidas com uma toca de tricô, uma bengala de marfim caro e seus óculos
escuros Dolce&Gabana. Minha extrema futilidade continua tecendo tapetes
para que eu mesmo possa sujar. Ser fútil me faz esquecer a dor, dor que –ao que
me parece– já se foi. Afinal, meus espelhos já não refletem gotas de sangue.
Minhas feridas já estão mais do que cauterizadas. Cauterizadas pela raiva.
Raiva que me fez pintar o céu de cinza por mais vezes que pude contar. Raiva
que me fez andar numa corda bamba entre cérebro e coração. Raiva que me fez ser
assim, tão fútil, tão eu.
EGOCENT(RISM)O
This entry was posted on terça-feira, 8 de janeiro de 2013 and is filed under citação,de momento. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.
