Corcunda-te


Quanto mais tento fugir desta carne que me prende e me envolve delicadamente, mais fico ligado a ela. Os sons estão vibrando dentro de mim e fazendo meus ossos quebrarem. Agonizar em dores. Mais do que minha carranca de Quasimodo, sinto segredos escapando de minhas costas corcundas. A necessidade de atenção passou dos limites, pessoas como eles me deixam nauseado. Minhas sereias internas suspendem meus órgãos e elevam meu ego. Meu mar já não é mais o mesmo.

Sentir o calor do sol em brumas sem fim me faz mais nostálgico do que a cinco minutos atrás. Derramar lágrimas salgadas é desperdiçar a água que faz as sereias respirarem. Derramar sangue ainda é mais fácil. Gotas de sangue que coloco em pequenas garrafas e armazeno em caixas. Sim, ainda guardo caixas no fundo do guarda roupas. Ainda guardo sentimentos em caixas. Pessoas em caixas. Momentos em caixas. Futilidades a parte, continuo a sentir os ossos quebrando, quebrando e se reconstituindo rápido, só pra poder quebrar mais uma vez.

This entry was posted on domingo, 6 de janeiro de 2013 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.

One Response to “Corcunda-te”

  1. Sereias, caixas: algo me soa familiar (e ainda assim inexplicável).

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